
Vivo numa linha tênue entre instabilidade emocional e uma tentativa meio frustrada de ser… normal.
Sempre fui intensa. Dramática. Uma montanha russa que nunca desliga. Como se viver como se não houvesse amanhã ainda não fosse suficiente. Como se a própria vida, por si só, também não fosse.
Nunca consegui gostar da ideia de uma rotina comum. Sempre precisei de mais, mais emoção, mais estímulo, mais alguma coisa que eu nem sei nomear direito.
E aí, quando não tem, eu crio.
Alimento a ansiedade da existência ou fujo do tédio com distrações que, quase sem perceber, viram pequenas obsessões.
O curioso é que eu sei.
Sei exatamente o padrão. Sei que é problemático. Sei o quanto isso se repete.
Mas também sei que isso me faz sentir viva.
E, de alguma forma, sempre vira material.
Ultimamente tenho observado mais do que sentido. Estudado as relações, os comportamentos, essa tentativa coletiva de parecer bem.
Mas ninguém parece estar bem.
E se ninguém está bem consigo mesmo, sem saber se sustentar sozinho… o que sobra para relações longas, estáveis, saudáveis?
Elas ainda existem ou a gente só gosta da ideia delas?
Talvez o problema não esteja nas relações.
Talvez esteja na forma como eu entro nelas.
Sempre esperando intensidade, novidade, alguma coisa que me tire do eixo, e ao mesmo tempo querendo estabilidade.
Como se fosse possível ter os dois o tempo inteiro.
E quando não tem, eu começo a duvidar.
Da pessoa, da conexão… ou de mim.
No fundo, eu quero alguém que fique.
Mas será que eu sei ficar também?
Ou eu só sei desejar o que parece intenso… e perder o interesse quando começa a ser real?
Outro dia, eu estava conversando com alguém.
Nada extraordinário. Sem tensão, sem ansiedade, sem aquele impulso de checar o celular a cada cinco minutos.
E, pela primeira vez em muito tempo, estava… tranquilo.
Mas, em vez de aproveitar, eu estranhei.
Faltava alguma coisa.
Ou melhor, faltava o caos que eu sempre confundi com sentimento.
E foi aí que eu percebi, talvez eu não esteja acostumada com o que é estável.
Talvez eu esteja condicionada ao que me desestabiliza.
Porque a verdade é que a gente vive numa época onde tudo é substituível.
Conversas, pessoas, sentimentos.
Se algo fica difícil, a solução parece simples, trocar.
Mas desde quando relações profundas nascem da facilidade?
No fim, talvez a pergunta nem seja se a monogamia existe ou não.
Talvez a pergunta seja:
a gente ainda sabe sustentar alguma coisa… ou só sabe sentir no começo?
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