Me perco constantemente em mim mesma. Às vezes o mergulho é tão profundo que sinto dificuldade em emergir. Fico repassando cenários hipotéticos, versões alternativas da minha vida, porque, às vezes, a realidade não é suficiente para mim. Eu quero a magia. Quero a sensação de estar exatamente na estrada certa, em alta velocidade, sentindo a vida acontecer por inteiro. Quero o excesso. A risada alta até a barriga doer. Quero alma. Quero o devaneio inventado, o estranho, o diferente. Quero tudo aquilo que desperta alguma coisa verdadeira dentro de mim. Quero a sensação de que a vida pode ser incrível apesar do horror, apesar do sofrimento, apesar de tudo aquilo que nos afasta de nós mesmos. Quero aqueles raros momentos de lucidez em que algo interno desperta e finalmente entende o que realmente faz sentido. E, por um instante, o corpo inteiro vibra junto.
Vivo numa linha tênue entre instabilidade emocional e uma tentativa meio frustrada de ser… normal. Sempre fui intensa. Dramática. Uma montanha russa que nunca desliga. Como se viver como se não houvesse amanhã ainda não fosse suficiente. Como se a própria vida, por si só, também não fosse. Nunca consegui gostar da ideia de uma rotina comum. Sempre precisei de mais, mais emoção, mais estímulo, mais alguma coisa que eu nem sei nomear direito. E aí, quando não tem, eu crio. Alimento a ansiedade da existência ou fujo do tédio com distrações que, quase sem perceber, viram pequenas obsessões. O curioso é que eu sei. Sei exatamente o padrão. Sei que é problemático. Sei o quanto isso se repete. Mas também sei que isso me faz sentir viva. E, de alguma forma, sempre vira material. Ultimamente tenho observado mais do que sentido. Estudado as relações, os comportamentos, essa tentativa coletiva de parecer bem. Mas ninguém parece estar bem. E se ninguém está bem consigo mesmo, sem saber se susten...