Pular para o conteúdo principal

Postagens

A arte de sentir e deixar ir

​ Meu filme preferido sempre foi Comer, Rezar e Amar . Assisti quando tinha 16 anos e agora, quase duas décadas depois, estou lendo o livro. Eu acredito muito na ideia de que algumas coisas chegam até nós exatamente no momento em que precisamos delas. Tudo depende da consciência que temos para compreender determinada experiência. Talvez a vida seja mesmo como um videogame: precisamos passar de fases, aprender certas lições e amadurecer para acessar novos níveis de consciência. Eu me identifico muito com a protagonista e autora, Elizabeth Gilbert. Ela é intensa, curiosa, profunda, sente as coisas de uma maneira que me toca. Sempre enxerguei meus vínculos como algo que vai além de simples relacionamentos; são conexões profundas, quase difíceis de explicar. Uma parte do livro que me fez refletir profundamente é quando ela está na Índia, tentando meditar, mas não consegue parar de pensar no homem por quem era apaixonada e no casamento que não deu certo. Em uma conversa com um colega, ela d...
Postagens recentes

Sobre não conseguir viver superficialmente

Me perco constantemente em mim mesma. Às vezes o mergulho é tão profundo que sinto dificuldade em emergir. Fico repassando cenários hipotéticos, versões alternativas da minha vida, porque, às vezes, a realidade não é suficiente para mim. Eu quero a magia. Quero a sensação de estar exatamente na estrada certa, em alta velocidade, sentindo a vida acontecer por inteiro. Quero o excesso. A risada alta até a barriga doer. Quero alma. Quero o devaneio inventado, o estranho, o diferente. Quero tudo aquilo que desperta alguma coisa verdadeira dentro de mim. Quero a sensação de que a vida pode ser incrível apesar do horror, apesar do sofrimento, apesar de tudo aquilo que nos afasta de nós mesmos. Quero aqueles raros momentos de lucidez em que algo interno desperta e finalmente entende o que realmente faz sentido. E, por um instante, o corpo inteiro vibra junto.

A necessidade de sentir demais

Vivo numa linha tênue entre instabilidade emocional e uma tentativa meio frustrada de ser… normal. Sempre fui intensa. Dramática. Uma montanha russa que nunca desliga. Como se viver como se não houvesse amanhã ainda não fosse suficiente. Como se a própria vida, por si só, também não fosse. Nunca consegui gostar da ideia de uma rotina comum. Sempre precisei de mais, mais emoção, mais estímulo, mais alguma coisa que eu nem sei nomear direito. E aí, quando não tem, eu crio. Alimento a ansiedade da existência ou fujo do tédio com distrações que, quase sem perceber, viram pequenas obsessões. O curioso é que eu sei. Sei exatamente o padrão. Sei que é problemático. Sei o quanto isso se repete. Mas também sei que isso me faz sentir viva. E, de alguma forma, sempre vira material. Ultimamente tenho observado mais do que sentido. Estudado as relações, os comportamentos, essa tentativa coletiva de parecer bem. Mas ninguém parece estar bem. E se ninguém está bem consigo mesmo, sem saber se susten...

Desejo, encontros, desencontros e o que permanece.

​ Às vezes sabemos exatamente o que deveríamos fazer. O que precisa mudar. Mas admitir isso para si mesmo exige abandonar a ilusão e a fantasia que criamos para não encarar a dor do que é. Viver implica uma sensação ambígua e constante, entre a frustração e a satisfação. Essa tensão se intensifica de acordo com a personalidade de cada um. Cada pessoa acaba encontrando alguma forma de fuga, de si mesma, do tédio, da dor, do outro. Vivemos nos distraindo, buscando pequenas anestesias para aquilo que não conseguimos elaborar por dentro. Tenho pensado muito sobre as relações. Sobre as pessoas que passam pela nossa vida e aquelas que nos atravessam. As que despertam desejo, fantasia, intensidade. Nem todas ficam. Mas todas ensinam. Em minha última análise, refleti sobre os relacionamentos que tive e sobre as pessoas com quem me conectei. Sobre o quanto de cada uma ainda permanece em mim, gestos, marcas, modos de sentir, partes que não foram embora quando a relação acabou. Há encontros que s...

Tudo deixa marcas: às vezes no corpo, às vezes na alma.

​ Olhando para as minhas cicatrizes de quando caí de moto, e também para minhas tatuagens, manchas, pintas e sardas, refleti sobre o quanto é bonito um corpo que carrega marcas. Marcas que não são apenas pessoais, mas que também carregam ancestralidade, memória e pertencimento. Fomos educados a pensar exatamente o contrário, sob uma crença perfeccionista que associa valor à lisura da pele, como se a vida ideal fosse uma linha reta, sem desvios, quedas ou interrupções. Como se as experiências não nos atravessassem. Como se não deixassem vestígios. Mas tudo tem história. Um corpo, um objeto, uma fotografia, um momento. Nada existe sem ter sido tocado pelo tempo. As marcas não são falhas no percurso, são registros de passagem. Elas dizem que houve movimento, risco, encontro com o real. Negá-las é sustentar a ilusão de uma existência asséptica, onde nada dói, nada transforma, nada exige reconstrução. Talvez o convite seja mudar o olhar. Ampliar a perspectiva. Reconhecer que há inúm...

E quando o problema somos nós mesmos?

Tenho cultivado o hábito de ouvir podcasts de desenvolvimento pessoal enquanto treino. Em um desses episódios, entre reflexões e silêncios, me dei conta de algo incômodo: o meu maior problema sou eu mesma. Sou eu quem moldo minha realidade, através das convicções que carrego desde a infância. É claro que a vida não existe para satisfazer as minhas expectativas. Acidentes, perdas, injustiças, tudo isso acontece o tempo todo,e está fora do meu controle. Mas o que está sob meu domínio é a forma como enxergo e reajo a essas situações e isso muda tudo. A maneira como interpreto o que me acontece determina o quanto vai doer, o quanto vou aprender, e o quanto de drama vou permitir entrar na minha vida. O sofrimento que carregamos por quase tudo que nos frustra não é natural.Não precisa ser assim. A resistência que a mente cria ao sofrimento, tentando evitá-lo a qualquer custo, muitas vezes só o intensifica. Perceber que somos o nosso maior obstáculo é um ato de responsabilidade. Não por tudo ...

Não deixe que o mundo torne você difícil

Hoje, me peguei refletindo sobre o peso das coisas que nos acontecem, sobre como o que vivemos se infiltra nas nossas emoções e molda a maneira como vemos o mundo. A forma como lidamos com os altos e baixos da vida , ou como deixamos que eles nos moldem. Eu tenho lido sobre isso, observado as pessoas ao meu redor e, principalmente, me observado. Abri uma frase que me tocou profundamente: “Não deixe que o mundo torne você difícil.” As experiências que acumulamos ao longo dos anos não são apenas acontecimentos. Elas se transformam em pedaços de nós mesmos, algumas vezes dentro do inconsciente, outras vezes escancaradas na nossa forma de ser. O mais difícil de perceber é como, sem querer, podemos nos tornar a dureza que nos foi imposta pela vida. Como nos tornamos mais irritados, mais fechados, mais pesados, como se o fardo da vida tivesse o poder de roubar nossa leveza. Quantas vezes nossa energia diminui, o humor fica contido, e os pensamentos negativos se tornam como um eco constante? ...