Pular para o conteúdo principal

Errar, respirar, seguir

Alguns dias são particularmente desafiadores. Sempre fui intensa, instável, e a ruminação negativa aparece como um ciclo difícil de quebrar. Hoje foi um desses dias. O estresse do trabalho, a convivência com pessoas difíceis, a sobrecarga de demandas… tudo se acumulou dentro de mim, até que transbordou. A ansiedade veio, e junto com ela a vontade de escapar.

Comprei coisas que não deveria. Saí da dieta. Passei tempo demais rolando o feed do Instagram, buscando pequenas doses de dopamina que evaporam rápido demais. É curioso como, às vezes, a gente sabe exatamente o que está fazendo, mas ainda assim cede. Como se, por um instante, aquilo fosse aliviar alguma coisa. Mas o alívio é breve. Depois, vem a frustração.

Só que hoje decidi não me render completamente. Ao invés de aceitar a queda como definitiva, fui me movimentar. Fiz 30 minutos de exercício, mesmo sem vontade. A mente resiste ao esforço, mas o corpo agradece. Depois, ainda tive energia para estudar e colocar algumas coisas em ordem.

E entendi algo importante: não é porque um momento foi ruim que o dia inteiro precisa ser perdido. A perfeição não existe, mas o recomeço sempre está ao nosso alcance. Pequenos passos importam. Se errar, acerta depois. Respira. Segue. No fim das contas, o que define o caminho não é o tropeço, mas a decisão de continuar andando.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desejo, encontros, desencontros e o que permanece.

​ Às vezes sabemos exatamente o que deveríamos fazer. O que precisa mudar. Mas admitir isso para si mesmo exige abandonar a ilusão e a fantasia que criamos para não encarar a dor do que é. Viver implica uma sensação ambígua e constante, entre a frustração e a satisfação. Essa tensão se intensifica de acordo com a personalidade de cada um. Cada pessoa acaba encontrando alguma forma de fuga, de si mesma, do tédio, da dor, do outro. Vivemos nos distraindo, buscando pequenas anestesias para aquilo que não conseguimos elaborar por dentro. Tenho pensado muito sobre as relações. Sobre as pessoas que passam pela nossa vida e aquelas que nos atravessam. As que despertam desejo, fantasia, intensidade. Nem todas ficam. Mas todas ensinam. Em minha última análise, refleti sobre os relacionamentos que tive e sobre as pessoas com quem me conectei. Sobre o quanto de cada uma ainda permanece em mim, gestos, marcas, modos de sentir, partes que não foram embora quando a relação acabou. Há encontros que s...

E quando o problema somos nós mesmos?

Tenho cultivado o hábito de ouvir podcasts de desenvolvimento pessoal enquanto treino. Em um desses episódios, entre reflexões e silêncios, me dei conta de algo incômodo: o meu maior problema sou eu mesma. Sou eu quem moldo minha realidade, através das convicções que carrego desde a infância. É claro que a vida não existe para satisfazer as minhas expectativas. Acidentes, perdas, injustiças, tudo isso acontece o tempo todo,e está fora do meu controle. Mas o que está sob meu domínio é a forma como enxergo e reajo a essas situações e isso muda tudo. A maneira como interpreto o que me acontece determina o quanto vai doer, o quanto vou aprender, e o quanto de drama vou permitir entrar na minha vida. O sofrimento que carregamos por quase tudo que nos frustra não é natural.Não precisa ser assim. A resistência que a mente cria ao sofrimento, tentando evitá-lo a qualquer custo, muitas vezes só o intensifica. Perceber que somos o nosso maior obstáculo é um ato de responsabilidade. Não por tudo ...

Tudo deixa marcas: às vezes no corpo, às vezes na alma.

​ Olhando para as minhas cicatrizes de quando caí de moto, e também para minhas tatuagens, manchas, pintas e sardas, refleti sobre o quanto é bonito um corpo que carrega marcas. Marcas que não são apenas pessoais, mas que também carregam ancestralidade, memória e pertencimento. Fomos educados a pensar exatamente o contrário, sob uma crença perfeccionista que associa valor à lisura da pele, como se a vida ideal fosse uma linha reta, sem desvios, quedas ou interrupções. Como se as experiências não nos atravessassem. Como se não deixassem vestígios. Mas tudo tem história. Um corpo, um objeto, uma fotografia, um momento. Nada existe sem ter sido tocado pelo tempo. As marcas não são falhas no percurso, são registros de passagem. Elas dizem que houve movimento, risco, encontro com o real. Negá-las é sustentar a ilusão de uma existência asséptica, onde nada dói, nada transforma, nada exige reconstrução. Talvez o convite seja mudar o olhar. Ampliar a perspectiva. Reconhecer que há inúm...