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O tempo, o corpo e as marcas que mudam


Estou removendo algumas tatuagens e, ao fazer isso, percebo quantas versões de mim já existiram. Nunca fui a mesma. Hoje, com um olhar mais maduro, revisito quem fui e vejo minha relação com o corpo, a forma como me expressava, as marcas que escolhi carregar. E percebo o quanto já não me cabe. Quantas pessoas passaram pela minha vida, quantos sentimentos se perderam pelo caminho, quanto tempo desperdicei com inseguranças e medos que, hoje, já não fazem sentido.

Penso no que poderia ter sido se, antes, eu já soubesse da força e autenticidade que reconheço em mim agora. Mas também sinto falta daquela coragem impulsiva, da certeza ingênua de que nunca me arrependeria. Mas me arrependi, e tudo bem. O arrependimento não é uma sentença, mas um convite para fazer diferente.

O tempo é uma força silenciosa e implacável. Nunca voltamos ao passado; apenas carregamos fragmentos do que fomos, até que, aos poucos, se desfaçam no fluxo da vida. Mas fica o aprendizado. Viver o agora com consciência é o mais próximo que temos de controlar nosso futuro.

Assim como um rio, nunca somos os mesmos. E é justamente nisso que reside a beleza da existência.

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