Hoje, saindo da academia, encontrei uma amiga que não via há muito tempo. Ela está passando por uma fase difícil após o fim de um relacionamento. A forma como tudo terminou foi dolorosa, e isso me fez refletir sobre o impacto que as pessoas têm em nossa vida — e o impacto que temos na vida delas.
Nos conectamos com aqueles cujo comportamento nos soa familiar ou que, de alguma forma, suprem algo em nós, ainda que inconscientemente. Em uma de minhas análises, percebi que muitos dos relacionamentos problemáticos que vivi eram, na verdade, tentativas de reviver minha relação infantil com minha mãe. Como se, ao salvar meu parceiro, eu pudesse salvá-la.
Isso é perturbador. Quantos de nós não projetamos desejos inconscientes em nossos relacionamentos? Sem entender por que repetimos padrões disfuncionais. Sem compreender exatamente por que aceitamos certas coisas, acreditando ser amor — quando, na verdade, é apenas idealização.
Os relacionamentos parecem estar cada vez mais difíceis. Vivemos mergulhados em ansiedade e na intolerância à frustração. Qualquer sinal de incômodo no outro se torna um convite para ir embora. Conversas difíceis e necessárias são substituídas por mensagens vazias no WhatsApp, onde tudo se diz, menos a verdade. A profundidade é vista como fragilidade, a vulnerabilidade como um fardo.
Tudo é substituível. Tudo é rápido. Tudo é superficial.
Estamos cada vez mais doentes emocionalmente, e cada vez menos nos relacionando com qualidade. Não curamos nossas feridas. E, quando encontramos alguém que também não curou as suas, acabamos presos em ciclos inconscientes e tóxicos, revivendo dores antigas sem nunca realmente compreendê-las.
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